Os monstros de Freud

“Onde Vivem os Monstros”, de Spike Jonze (2009).

O livro é de 1963. Quero crer que isso diz muita coisa. O filme é de 2009. Idem. O livro é lúdico. O filme psicológico. E ao contrário da lógica, o livro é imagético, o filme é dialógico. Spike Jonze há dez anos fazia “Quero ser John Malkovick”. Maurice Sendak tinha 35 anos em plenos anos 60 quando escreveu o livro. O livro é infantil e o filme é sobre a infância, e é nesse jogo de opostos, que as fronteiras se nublam e tudo fica insólito, interpretativo, sinestésico.

Portanto, não sei se há lógica. Não sei se existe um correlato na psicologia que nos diga o que é o que no filme. Os monstros são os anseios, sentimentos, desejos do menino. Mas isso é fácil de entender. A idéia do projeto atormenta. O filme, não sei. Os animais do Jim Hanson são fiéis a imagem do livro, já o texto não (acho que o roteiro é do Kalffman – roteirista alucinado responsável por ”Confissões de uma Mente Perigosa”). A TV Colosso encontra Freud.

Na minha opinião é uma visão melancólica da infância. O que é ótimo. A invenção da infância ocidental e o biopoder a ela relacionado são um dos grandes fardos da modernidade.

Eu adorei a fotografia, e é clichê dizer que Jonze é foda. Já a interpretação esquisita do garoto e a trilha a lá Mallu Magalhães (nada contra ela – adoro) estragam a experiência. A mãe (que não existe no livro) também é desnecessária. Mas, ao fim e ao cabo, é sombrio demais para crianças (só atingirá as freaks), é hermético para adultos (só atingirá psicanalistas avançadinhos e gente do circuito culturete Amelie Polain). Não acho que era o que a Warner tinha em mente.

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