To die by your side, it’s such a heavenly way to die….

“500 dias com ela”, de Marc Webb (2009).

Eu preciso dizer que amei esse filme. Foi uma daquelas experiências capazes de emular a sensação da desilusão amorosa. Eu senti, junto com Tom, o protagonista, meu coração quebrar. Saí cambaleante do cinema, desgostosa com o amor. E nada daquilo aconteceu comigo. Ou aconteceu, com o filme, dentro de mim, minhas expectativas amorosas se frustraram junto com as dele. Quando o cinema acerta, é o maior presente, não? Viver emoções de outros.

Li numa crítica carioca que “500 dias…” é um bombom indie. E talvez seja, o que impõe um importante corte etário. Não sei se ele é um filme atraente para quem não está acostumado com a linguagem videoclíptica (na qual o diretor é mestre), com a estética hipster, com o charme desengonçado da Zooey Deschanel, com a insegurança adorável do Joseph Gordon-Levitt, com a trilha sonora. O filme é inovador em linguagem, também, trazendo artifícios narrativos não canônicos, lúdicos, retirados das mais descoladas plataformas sociais que pipocam por aí. Ao mesmo tempo é tão singelo. É uma história de amor. Ou melhor, uma história de um não-amor.

O filme tem algumas referências bem específicas. Cameron Crowe. Lost in Translation. Seth Cohen. Cultura pop. Cenas em karaokê. Here comes your man. Musicais. Cenas em sebos. Richard Linklater. Smiths. Beatles. E a eterna dúvida do Rob, personagem principal do livro do Nick Hornby “Alta fidelidade”. Quando ele se dá conta de que foi educado sentimentalmente pela música pop sobre corações partidos, Rob se questiona: “estou escutando música pop porque estou triste ou estou triste porque estou escutando música pop?. Hamlet indie.

No fim das contas, acho que de uma certa maneira eu sempre quis ser Summer. Quer dizer, ter o efeito de Summer. Ser uma menina sobre quem se escreve músicas, sobre quem se faz filmes. Só que fiquei morrendo de pena do menino, mesmo.

Até que, outro dia, vi uma entrevista do Gordon-Levitt sobre seu personagem, o Tom. Ele disse assim, “a atitude ‘eu te quero tanto’ do meu personagem pode parecer atraente para homens e mulheres, especialmente mais jovens. Mas eu encorajo todos que simpatizam com meu personagem a assistir ao filme novamente e notar o quão egoísta ele é”. Ele continua:

“Ele desenvolve uma obsessão meio delirante em relação a uma menina em quem ele projeta essas fantasias.   Ele acha que ela vai dar significado à sua vida porque ele não se importa com mais nada que acontece em sua vida. Muitos meninos e meninas acreditam que a vida deles vai adquirir significado se eles encontrarem um parceiro que não queira nada na vida a não ser eles. Isso não é saudável. Isso é se apaixonar pela ideia de uma pessoa, não pela pessoa de fato”.

Que choque. Ele não poderia estar mais certo. Summer, coitada, é a vítima de um menino com sérios problemas emocionais. Como ele é o narrador da história, vemos tudo a partir de sua perspectiva obsessiva e injusta. Contrariando Exupéry, ninguém se torna responsável por aquilo que cativas. Eu hein, malucos do caramba.

Olha só, eu tomando lições de vida de atores hollywoodianos. Obrigada, Joseph.

Ps. Uma coisa que não é 100% para mim é a Carla Bruni. Ok, até que quelqu’un m’a dit coube na cena, mas não dá para aceitar alguém que se casa com o Sarkozy.

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