O povo, para sempre, vive…

Escrito por Gabriela Boccaccio.

“As Vinhas da Ira” (1940),  John Ford

vinhas da ira cover

Baseado no romance homônimo de John Steinbeck, Vinhas da Ira retrata a história da família Joad. Dirigido por John Ford, a trajetória dessa família poderia ser a de qualquer outra durante a Grande Depressão nos Estados-Unidos, no final dos anos 20.

Tom Joad acaba de sair da prisão após quatro anos de detenção, acusado de homicídio. Retorna à sua cidade natal em busca dos pais e é informado de que sua família está migrando para a Califórnia em busca de trabalho nas plantações. Ele os reencontra e parte com eles montados em um caminhão, caindo aos pedaços, não para viver e sim para sobreviver.

MaJoad é o grande vínculo da família, a mãe de Tom tem que se reconstruir a cada obstáculo enfrentado. A atuação visceral de Jane Darwell lhe rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante naquele ano. Sua personagem é pragmática e consciente da realidade que a cerca.

O filme é inspirador e extremamente crítico em relação à exploração das classes trabalhadoras. Em uma época de escassez e recessão, qualquer trabalho é considerado lucro. O caminho sinuoso e repleto de adversidades é retratado por John Ford através do caminhão que carrega a família e suas esperanças. A câmera se posiciona à frente dele e ocupamos o lugar dos Joad que vagam em incertezas.

A exploração e a injustiça são coadjuvantes da produção. Panfletos requisitando trabalho manual são impressos aos milhares, donos de fazenda e policias se aproveitam ao máximo da vulnerabilidade dos trabalhadores. No meio desse turbilhão de acontecimentos, o caminhão da família Joad continua na estrada representando o elo indestrutível daquela família e de sua luta. Eles são nômades, vítimas de uma série de acontecimentos que transcendem suas próprias consciências.

Muley, que informa a Tom os acontecimentos e o destino de sua família, conta em flashback o que havia ocorrido. “Em quem devemos atirar?” ele indaga ao receber a notícia de que sua fazenda será derrubada, o problema vai além de uma pessoa física, para tornar-se todo um sistema de alianças e interesses.

A mensagem do filme é atemporal, e cada vez a câmera se aproxima mais dos protagonistas para enfatizar seus dramas pessoais e universais. O final ainda é incerto, mas a cena final sintetiza o pensamento da classe. MaJoad, na camionete, olha para o horizonte e diz :“Nós viveremos para sempre, pai, porque nós somos o povo”.

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