“E Oscar vai para…a indústria…”

Enquanto escrevo este texto, restam poucos minutos para o início da cerimônia do Oscar. Sempre achei uma cerimônia brega e injusta. Injusta em muitos momentos; Injusta com cineastas e atores que fizeram a história do cinema.

No entanto, e é importante destacar isso, o Oscar é importante para o cinema, e não somente para o Americano. A cerimônia destaca toda a cadeia de produção do cinema, do Figurinista ao Diretor. Desta maneira, destaca-se a importância da Indústria do cinema. Uma indústria extraordinariamente importante para o capitalismo americano.

Diferente das premiações Europeias, que destaca o realizador(a) – ou Diretor(a) –  como o artista relevante, responsável pelas escolhas estéticas, narrativas e até políticas da obra, o Oscar homenageia toda a Indústria. Não é por outro motivo que o encarregado de receber a premiação de melhor filme é o produtor (o capitalista ou encarregado, em última instância) e não o diretor.

E é importante as justas homenagens a múltiplos talentos que certamente contribuem para o resultado final dos filmes. Maquiadores, compositores, fotógrafos…todos eles são lembrados…e, na verdade, constituem a força incomparável do cinema americano.

Dito isso, não existe chance de esquecermos as históricas Injustiças do Oscar. Kubrick nunca ganhou nenhum. Scorcese ganhou por um filme menor. Chaplin recebeu um prêmio pela obra (justo ele que ajudou a construir a indústria).

Mas, por mais que sejamos críticos e entendamos a lógica da premiação (de privilegiar o “melhor” filme para os interesses da indústria, e não o Melhor filme), nós cinéfilos sempre  a assistimos. E costumamos ter duas listas: a lista dos melhores candidatos “favoritos” e aqueles filmes que verdadeiramente gostamos, e que vez ou outra acaba por ganhar o Prêmio…Vez ou outra…

Para este ano, sem maiores rodeios, apostaria em “12 anos de Escravidão” para o posto de melhor filme. Steve McQueen, no seu terceiro longa (Hunger e Shame), entrega um filme muito bem contado. Duro e necessário (e atual, se olharmos o quadro social Americano e Brasileiro), o filme tem uma estética “Oscarizável” (e isso até rendeu críticas ao filme, parecidas com aquelas recebidas por Spielberg por “A lista de Schindler”), interpretações poderosas e um tema atual e urgente.

Mas, como cinema, “Ela” de Spike Jonze, ganhou o meu coração. Filme muito alternativo e até certo ponto pequeno para a Indústria. Eu não saberia escrever sobre o filme. Fico com o saboroso texto da Bia (https://oqueerosebud.wordpress.com/2014/02/09/a-adoravel-mas-amalucada-namorada-dos-seus-sonhos/)

Então é isso. Sabedor das regras do Jogo, minha cabeça fica com o filme de Mcqueen. Mas o meu coração foi fisgado por Jonze.Image

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